Política

Lula critica Trump: “Mundo não dá direito a ameaçar países” e alerta para risco de 3ª Guerra Mundial

Lula critica Trump e alerta para riscos globaisO presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a expressar fortes críticas à política externa adotada pelo ex-presidente dos Estados U

news 10394 1776414937

Lula critica Trump e alerta para riscos globais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a expressar fortes críticas à política externa adotada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente em relação a países como Irã, Cuba e Venezuela. Lula enfatizou que nenhum líder mundial possui o direito de ameaçar nações com base em discordâncias políticas ou ideológicas, ressaltando que tais ações contrariam os princípios internacionais e a própria Constituição americana.

As declarações foram feitas em uma entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16). O líder brasileiro argumentou que a Casa Branca não tem o poder de impor sua vontade a outras nações, nem de violar sua integridade territorial ou soberania. Essa postura, segundo Lula, agrava tensões globais e aumenta o risco de conflitos de grandes proporções.

Para Lula, a ausência de lideranças globais dispostas a promover a paz e a cooperação é um dos maiores desafios da atualidade. Ele defende que as maiores potências mundiais têm uma responsabilidade ampliada em manter a estabilidade e evitar que o planeta se torne palco de novas e devastadoras guerras, comparando a gravidade de um eventual conflito a uma tragédia dez vezes maior que a Segunda Guerra Mundial.

Conforme informações divulgadas pelo jornal El País, Lula abordou especificamente a ameaça de Trump de cometer genocídio contra o Irã, caso o país não aceitasse os termos dos EUA para o fim da guerra no Oriente Médio. Ele também criticou as intervenções e ameaças dirigidas a Cuba e Venezuela, reiterando a importância do respeito mútuo entre as nações.

Ameaças de Trump e a soberania das nações

Durante a entrevista, o presidente Lula foi enfático ao afirmar que “o Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”. Essa declaração sublinha a visão de Lula sobre a necessidade de respeitar as normas internacionais e a autonomia dos países.

O presidente brasileiro destacou que a política de ameaças e sanções unilaterais, como as impostas por Trump ao Irã, Cuba e Venezuela, não contribui para a resolução pacífica de conflitos. Pelo contrário, essas ações tendem a escalar tensões e criar instabilidade regional e global. Lula defende que o diálogo e a diplomacia são os caminhos mais eficazes para lidar com divergências internacionais.

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou Lula, reforçando seu compromisso com os princípios do direito internacional e da autodeterminação dos povos. Essa posição é um pilar da política externa brasileira, que busca fortalecer relações baseadas no respeito mútuo e na cooperação.

A crítica de Lula não se limita a Trump, mas abrange uma postura que ele percebe como uma tendência de algumas potências em impor suas agendas a outros países. Ele argumenta que a busca por hegemonia e a falta de consideração pelas especificidades de cada nação são fontes de conflito e sofrimento humano. A entrevista ao El País serviu como plataforma para o presidente brasileiro expor sua visão sobre a ordem mundial e a necessidade de um multilateralismo mais justo e equitativo.

O risco de uma Terceira Guerra Mundial

A possibilidade de um conflito global foi um dos pontos mais preocupantes levantados por Lula. Ele alertou que a política intervencionista e as ameaças constantes, se mantidas, podem desencadear uma Terceira Guerra Mundial, um evento que seria catastrófico em escala sem precedentes. Segundo o presidente, a história recente demonstra os horrores da guerra, e uma nova conflagração global seria uma tragédia de proporções inimagináveis.

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, afirmou Lula, enfatizando a gravidade da situação. Ele expressou sua preocupação com a escalada de tensões e a retórica bélica que, em sua opinião, pode levar a um ponto sem retorno. A dependência de arsenais nucleares e a instabilidade geopolítica global aumentam o risco de um erro de cálculo fatal.

Questionado sobre sua crença na possibilidade de uma guerra mundial, Lula respondeu de forma direta e preocupante: “se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”. Essa frase resume a visão de que a impunidade e a falta de responsabilização por atos de agressão podem alimentar um ciclo de violência que, em última instância, pode levar a um conflito generalizado. O presidente apela por uma postura mais cautelosa e diplomática por parte das lideranças mundiais.

Lula defende que os líderes globais precisam assumir uma responsabilidade maior pela manutenção da paz. Ele acredita que, independentemente das diferenças ideológicas, os países mais poderosos devem priorizar a estabilidade e o bem-estar coletivo, em vez de buscar interesses nacionais isolados que possam comprometer a segurança global. A busca por um mundo multipolar, com respeito às diversidades e direitos de todos, é vista como essencial para evitar catástrofes futuras.

Críticas ao bloqueio de Cuba e intervenção na Venezuela

A entrevista também serviu para Lula reiterar sua posição firme contra o embargo econômico imposto a Cuba há quase sete décadas. Ele condenou o endurecimento das sanções, especialmente no setor energético, e classificou o país caribenho como “precioso” para o Brasil. Lula questionou a lógica por trás de um bloqueio tão prolongado, especialmente quando comparado à falta de atenção a outras crises humanitárias, como a do Haiti.

“Não tem explicação um bloqueio durante 70 anos. Ou seja, se as pessoas que não gostam de Cuba, que não gostam do regime cubano, têm uma preocupação com o povo cubano, por que essas pessoas não têm uma preocupação com Haiti? Que não tem o regime comunista, por que não tem?”, questionou o presidente brasileiro. Ele apontou a incoerência na aplicação de políticas de pressão e isolamento, sugerindo que as preocupações humanitárias deveriam ser universais.

Lula destacou as dificuldades enfrentadas por Cuba devido à falta de acesso a bens essenciais, como alimentos, combustíveis e energia. “Como é que pode sobreviver um país que está comprometido a não receber alimento, a não receber combustível, a não receber energia?”, indagou, ressaltando o impacto devastador do embargo na vida cotidiana do povo cubano e na capacidade do país de se desenvolver.

Em relação à Venezuela, o presidente brasileiro reiterou que a posição do governo brasileiro é pela realização das eleições previstas para julho de 2024 e pelo acatamento de seus resultados. O objetivo é que o país vizinho possa “voltar a ter paz”. Lula criticou a postura dos Estados Unidos de tentar administrar a Venezuela, defendendo a soberania venezuelana e a necessidade de uma solução interna para a crise política e econômica.

“[O que não dá é] os EUA acharem que eles podem administrar a Venezuela”, completou Lula, reafirmando o princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros países. Ele enfatizou que a comunidade internacional deve apoiar um processo democrático liderado pelos próprios venezuelanos, sem imposições externas.

Taxação sobre exportações brasileiras

Lula também relembrou as tensões comerciais com os Estados Unidos durante a gestão de Trump, especificamente sobre a taxação de exportações brasileiras. Ele relatou ter conversado com Trump sobre a necessidade de os chefes de Estado pensarem nos interesses de seus países, em vez de se prenderem a divergências ideológicas. O presidente defendeu uma relação bilateral baseada no pragmatismo e no benefício mútuo.

“Eu nunca pedirei para ele concordar ideologicamente comigo, como eu também não concordo com ele. Dois chefes de Estado não têm que pensar ideologicamente. Eu tenho que pensar como chefe de Estado. Quais são os interesses do meu país com relação aos Estados Unidos e quais são os interesses deles com relação ao meu país?”, finalizou. Essa fala demonstra a abordagem de Lula em priorizar os interesses nacionais nas relações internacionais, buscando um equilíbrio entre a cooperação e a defesa das pautas brasileiras.

Após negociações em novembro de 2025, os Estados Unidos retiraram tarifas sobre diversos produtos brasileiros, um resultado positivo para o comércio bilateral. Posteriormente, em fevereiro deste ano, a Suprema Corte americana derrubou tarifas impostas por Trump a dezenas de países, o que também beneficiou empresas brasileiras afetadas pelas medidas. Esses eventos mostram a dinâmica das relações comerciais e a capacidade de negociação em busca de acordos favoráveis.