Política
Flávio Bolsonaro faz apelo público a Cristina Graeml para evitar divisão de votos da direita ao Senado no Paraná
Flávio Bolsonaro apela por unidade da direita no Paraná e mira Cristina Graeml para evitar fragmentação eleitoral O cenário político paranaense para as eleições de 2026 ganha conto
Flávio Bolsonaro apela por unidade da direita no Paraná e mira Cristina Graeml para evitar fragmentação eleitoral
O cenário político paranaense para as eleições de 2026 ganha contornos de articulação e apelos públicos. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e presidente do PL-RJ, manifestou publicamente seu apoio aos pré-candidatos ao Senado pelo estado, Filipe Barros (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). Em um movimento que demonstra a busca por coesão no campo conservador, Bolsonaro dirigiu um apelo direto à jornalista e pré-candidata ao Senado, Cristina Graeml (PSD-PR).
A preocupação central do senador é evitar a pulverização de votos entre candidaturas de direita, o que, segundo sua análise, poderia abrir espaço para a eleição de um representante de esquerda para o Senado. A fala ocorreu durante entrevista à Jovem Pan, onde Flávio Bolsonaro expressou a necessidade de bom senso entre os pré-candidatos para garantir a força eleitoral do grupo político.
A articulação se insere em um contexto de movimentações partidárias recentes, incluindo a filiação de Cristina Graeml ao PSD, após convite do governador Ratinho Junior (PSD-PR). Essa manobra ocorreu como uma resposta à filiação do senador Sergio Moro ao PL, que se tornou pré-candidato ao governo do Paraná com o apoio de Flávio Bolsonaro e do partido Novo. A saída de Moro do União Brasil e sua entrada no PL, alinhando-se a Flávio, geraram um efeito cascata no tabuleiro político estadual.
O apelo de Flávio Bolsonaro e a resposta de Cristina Graeml
Flávio Bolsonaro explicitou seu receio com a multiplicidade de candidaturas de direita. Ele declarou: “É muito perigoso termos mais de dois candidatos do mesmo campo político. A partir do momento em que temos dois pré-candidatos definidos, se ela [Graeml] mantiver a candidatura ao Senado, o Paraná pode acabar elegendo um senador de esquerda. Se eu puder fazer um apelo público, que haja esse bom senso”. A declaração sublinha a estratégia de concentração de votos em nomes específicos para maximizar as chances de eleição.
Em contrapartida, Cristina Graeml demonstrou confiança na capacidade do eleitorado paranaense de discernir e escolher seus representantes. Ela afirmou que a tendência é que o eleitor do estado opte por dois candidatos de direita para o Senado. “O PL definiu a chapa e o paranaense tem o direito de escolher os nomes que ele quiser para o Senado. […] Quem acha que candidato de esquerda tem chance é porque não bota fé no próprio taco”, rebateu Graeml, indicando que não pretende recuar de sua pré-candidatura.
A jornalista também reiterou seu compromisso com a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, apesar de seu partido, o PSD, ter o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) como nome na corrida ao Palácio do Planalto. Essa posição demonstra uma tentativa de conciliar alianças em diferentes esferas eleitorais, buscando fortalecer a direita em todas as frentes.
Contexto das alianças e movimentações partidárias no Paraná
A entrada de Cristina Graeml no PSD foi um movimento estratégico após sua saída do União Brasil, onde não encontrou espaço para suas ambições eleitorais. O convite do governador Ratinho Junior foi visto como uma forma de fortalecer a base aliada do governo estadual e, ao mesmo tempo, acomodar uma figura política com potencial eleitoral. A filiação ao PSD ocorreu em resposta direta à filiação do senador Sergio Moro ao PL, que se tornou o principal adversário de Ratinho Junior na disputa pelo governo estadual.
O PSD, sob a liderança de Ratinho Junior, já lançou o ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex (PSD-PR), como pré-candidato ao governo. Para o Senado, a sigla apoia Alexandre Curi (Republicanos), atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná. A possibilidade de Cristina Graeml compor a chapa como vice-governadora, ao lado de Sandro Alex, tem sido considerada pelo grupo político de Ratinho Junior.
Essa articulação para uma possível candidatura de Graeml a vice-governadora visa, segundo avaliações internas, diminuir a concorrência na disputa pelo Senado e fortalecer a chapa majoritária. A jornalista, que já disputou o segundo turno das eleições municipais em Curitiba em 2024, é vista como uma figura com potencial para atrair votos na capital, além de ter forte identificação com o eleitorado conservador e feminino.
A disputa pelo Senado e a estratégia de concentração de votos
A eleição para o Senado em 2026 prevê que cada estado elegerá dois senadores. A estratégia de Flávio Bolsonaro se baseia na premissa de que, em um cenário com múltiplos candidatos de direita, os votos podem se fragmentar, permitindo que um candidato de esquerda conquiste uma das vagas. Essa preocupação se acentua em um estado como o Paraná, onde as disputas eleitorais costumam ser acirradas e com a presença de nomes de peso em diferentes espectros políticos.
No campo do centro, o MDB lançou a pré-candidatura do ex-senador Alvaro Dias, e a ex-ministra petista Gleisi Hoffmann deixou o governo Lula para disputar uma das cadeiras do Senado pelo Paraná. Diante desse cenário, a possibilidade de Cristina Graeml ser lançada como vice-governadora ganha força, pois poderia unificar parte do voto conservador e abrir caminho para Alexandre Curi no Senado, além de fortalecer a candidatura de Sandro Alex ao governo.
A avaliação do grupo político de Ratinho Junior é que Graeml, apesar de ter perdido o segundo turno em Curitiba, possui capital político significativo na capital e uma forte identificação com a direita conservadora. A aposta é que essa combinação de fatores, aliada ao eleitorado feminino, possa ser decisiva para o sucesso da chapa.
Cenário político e futuras definições no Paraná
Ainda restam definições importantes na composição das chapas para o governo e o Senado no Paraná. O nome preferido para a vaga de vice-governador, segundo apurações, seria o do ex-prefeito Rafael Greca, que também lançou pré-candidatura ao governo pelo MDB. No entanto, a articulação envolvendo Cristina Graeml demonstra a complexidade das negociações e a busca por maximizar as chances eleitorais.
No interior do estado, o PSD aposta na alta aprovação do governador Ratinho Junior e na capilaridade da sigla, presente em mais de 300 municípios. A expectativa é que esses fatores resultem na transferência de votos para o pré-candidato escolhido pelo governador, reforçando a força política do PSD no Paraná. A decisão sobre a candidatura de Cristina Graeml, seja ao Senado ou como vice, terá impacto direto no equilíbrio de forças e na definição das candidaturas de direita no estado.
A declaração de Graeml de que “Eu sou pré-candidata de direita, trago os valores da direita e não vou permitir que ninguém da esquerda avance no tabuleiro e no debate” reforça sua postura e a identificação com o eleitorado conservador. A dinâmica política no Paraná continua em desenvolvimento, com definições cruciais ainda a serem tomadas nas próximas semanas e meses, moldando o cenário eleitoral para 2026.


