Bahia
Programa Água Doce Bahia: Capacitação Impulsiona Gestão Comunitária e Sustentabilidade de Sistemas de Dessalinização
Capacitação Impulsiona Gestão Comunitária e Sustentabilidade de Sistemas de Dessalinização Uma capacitação estratégica para agentes multiplicadores do Programa Água Doce Bahia (PAD
Programa Água Doce Bahia: Capacitação Impulsiona Gestão Comunitária e Sustentabilidade de Sistemas de Dessalinização
Uma capacitação estratégica para agentes multiplicadores do Programa Água Doce Bahia (PAD-Bahia) foi realizada em Riachão do Jacuípe, reunindo cerca de 35 participantes de diversos municípios da região. O evento teve como objetivo principal fortalecer a gestão comunitária e municipal dos sistemas de dessalinização, um passo crucial na transição do programa para uma condução mais direta pelas prefeituras e pelas próprias comunidades.
A iniciativa, promovida pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) em parceria com o Movimento de Organização Comunitária (MOC) e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), visa capacitar representantes locais para que atuem na manutenção e gestão adequada das estruturas de acesso à água potável. Esta formação é fundamental para assegurar a continuidade da política pública e a autonomia das comunidades no gerenciamento dos recursos hídricos.
A capacitação integra um ciclo de formações essenciais para o Programa Água Doce, que tem um impacto significativo na vida de milhares de pessoas no Semiárido baiano. Ao preparar agentes multiplicadores, o programa garante que o conhecimento técnico e a metodologia de gestão sejam disseminados, promovendo a sustentabilidade e a resiliência das comunidades frente às mudanças climáticas.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), a capacitação de agentes multiplicadores é vista como uma estratégia vital para a perenidade do Programa Água Doce.
Fortalecendo a Autonomia e a Gestão Comunitária
O coordenador do PAD-Bahia na Sema, João Paulo Ribeiro, enfatizou a importância de formar agentes que compreendam profundamente a metodologia do programa e o funcionamento dos sistemas de dessalinização. O objetivo é capacitá-los para que possam atuar diretamente na manutenção e na gestão adequada das estruturas, garantindo que os sistemas continuem operacionais e que as comunidades exerçam a autogestão em colaboração com os municípios.
“A gente está buscando formar esses agentes multiplicadores justamente para manter uma política pública permanente. O grande desafio é garantir que os sistemas continuem vivos, funcionando corretamente, com as comunidades tendo autonomia e realizando a autogestão em parceria com as prefeituras”, destacou Ribeiro. Essa abordagem visa criar um ciclo virtuoso de conhecimento e responsabilidade, assegurando que o acesso à água potável seja uma realidade contínua.
A atuação do programa na Bahia é abrangente, contando atualmente com 291 sistemas de dessalinização, entre implantados e em fase de implantação, distribuídos em 56 municípios. Esses sistemas beneficiam cerca de 110 mil pessoas, com uma produção diária que chega a aproximadamente 350 mil litros de água potável. O PAD-Bahia já realizou mais de mil diagnósticos socioambientais e centenas de outras ações, consolidando-se como uma iniciativa estruturante e permanente.
O Papel da Comunidade e do MOC na Implementação do Programa
Ana Glécia Almeida, coordenadora da parceria pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC), ressaltou que o processo de implementação do programa inicia com a escuta atenta dos territórios e o reconhecimento de novos atores sociais capazes de impulsionar o projeto. O MOC atua ouvindo os 56 municípios atendidos pelo programa, identificando lideranças em todos os setores da sociedade e formando esses agentes para que adquiram um conhecimento profundo sobre o Água Doce.
“Nossa atuação busca ouvir os 56 municípios que possuem sistemas do Programa Água Doce, identificar lideranças da sociedade civil, do poder público e de organizações comunitárias, e formar esses agentes para que conheçam profundamente o programa, sua metodologia e suas perspectivas”, afirmou Almeida. Ela também destacou o caráter do programa como uma política de convivência com o Semiárido, crucial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir a segurança alimentar e nutricional.
O programa é fundamental para garantir a disponibilidade de água para consumo humano, o que ela descreve como “a água do copo e da panela”. Essa iniciativa tem um impacto direto na qualidade de vida das famílias, proporcionando acesso a um recurso essencial que antes era escasso ou de qualidade duvidosa em muitas regiões.
Resultados Consolidados e Experiências de Sucesso em Riachão do Jacuípe e Arredores
Em Riachão do Jacuípe, o Programa Água Doce já demonstra resultados concretos. O município possui sistemas em funcionamento há cerca de cinco anos, com o apoio direto da gestão municipal. Vinícius de Brito, diretor de Agricultura da Secretaria de Desenvolvimento Rural, explicou que a prefeitura assumiu a responsabilidade pela manutenção, contratou um técnico especializado e fornece insumos essenciais para o pleno funcionamento dos equipamentos.
“A água dessalinizada é destinada ao consumo humano, enquanto a água bruta é utilizada para os animais. Há um grupo gestor com operadores escolhidos pela própria comunidade, todos capacitados, e isso fortalece muito o sistema”, explicou Brito. Essa colaboração entre o poder público e a comunidade é um pilar para a sustentabilidade do programa.
As experiências de comunidades como Pedra Bonita, em Pé de Serra, e Poções, em Riachão do Jacuípe, ilustram o impacto positivo do programa. Getúlio Valdo, operador do sistema em Pedra Bonita desde 2016, relata melhorias significativas na saúde da população. A produção atual supera a demanda inicial, atraindo comerciantes de outros municípios e gerando satisfação e reconhecimento para a comunidade.
Amilton Cerqueira, operador do sistema em Poções desde 2016, destaca a mudança no padrão de consumo de água e a melhoria na qualidade de vida das famílias, que antes dependiam de cisternas e barreiros. “As comunidades passaram a ter conhecimento, organização e recursos próprios para resolver problemas menores, garantindo água de qualidade de forma contínua”, afirmou Cerqueira, evidenciando o empoderamento comunitário proporcionado pelo programa.
Desafios Atuais e Perspectivas Futuras para o Programa Água Doce
Durante a capacitação, foram compartilhadas experiências sobre o apoio institucional na distribuição da água, com municípios relatando que escolas e outras instituições públicas passaram a adquirir a água produzida pelos sistemas do PAD-Bahia. Essa iniciativa não só garante água de qualidade a um custo menor, mas também gera retorno financeiro para os sistemas, contribuindo para sua sustentabilidade.
No entanto, lideranças comunitárias também apontaram desafios que necessitam de atenção. Representantes de Gavião mencionaram dificuldades no funcionamento de alguns sistemas devido a problemas recorrentes com bombas, o que tem limitado o avanço do programa na região. Essa questão foi identificada como uma prioridade a ser acompanhada no processo de fortalecimento da gestão local.
Tailana, representante da comunidade de Mandassaia II, em Riachão do Jacuípe, reforçou a necessidade de ampliar parcerias com o poder público para a compra da água produzida localmente por escolas e postos de saúde. Ela destacou que essa iniciativa fortalece a geração de renda, a autonomia comunitária e a sustentabilidade dos sistemas. “O Programa Água Doce trouxe geração de vida, renda e saúde para a comunidade. O que a gente pede é que esse projeto continue sendo abraçado, com mais parceria do poder público”, defendeu.
Magno Monteiro, especialista em Meio Ambiente da Sema, que acompanha o programa desde sua implantação, enfatiza que as capacitações vão além da formação técnica. Elas preparam prefeituras e comunidades para assumirem a gestão dos sistemas e criam um espaço valioso para a troca de experiências entre quem já avançou e quem ainda enfrenta dificuldades. “Temos municípios com equipes próprias de manutenção, comunidades que arrecadam recursos, compram peças e realizam reparos sem depender do programa. Isso mostra que a autonomia é possível e que o Água Doce é um exemplo de política pública construída de forma integrada, baseada na convivência com o Semiárido, na resiliência e na sustentabilidade”, concluiu Monteiro.


