Bahia
Colégio Indígena na Bahia Realiza Ações de Combate à Violência de Gênero em Alusão ao Dia da Mulher
Comunidade Escolar em Coroa Vermelha se Une em Mobilização contra a Violência de Gênero Em uma iniciativa inspiradora para o combate à violência de gênero, estudantes e professores
Comunidade Escolar em Coroa Vermelha se Une em Mobilização contra a Violência de Gênero
Em uma iniciativa inspiradora para o combate à violência de gênero, estudantes e professores do Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, localizado no distrito de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, organizaram uma série de atividades marcantes. As ações, que integram o calendário do Março Mulher 2026, promovido pela Secretaria da Educação do Estado (SEC), visam ampliar a discussão sobre direitos, respeito e a necessidade de denúncia de todas as formas de violência contra as mulheres.
A mobilização contou com a participação ativa de mais de 200 pessoas, envolvendo toda a comunidade escolar e estendendo a mensagem de conscientização para além dos muros da instituição. A programação diversificada buscou engajar os alunos em diferentes momentos do dia, desde a confecção de materiais de conscientização até debates e imersões culturais, reforçando o compromisso com a erradicação da violência e a promoção da igualdade.
O evento ressalta a importância de abordar temas sensíveis como a violência de gênero em espaços educacionais, especialmente em comunidades onde esses debates são cruciais para a segurança e o bem-estar das mulheres. A iniciativa do colégio indígena se alinha a um esforço estadual maior, promovendo um diálogo essencial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Conforme informações divulgadas pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), as atividades do Março Mulher 2026 estão mobilizando estudantes e professores em todo o território baiano, com o objetivo de promover a reflexão e a ação contra a violência de gênero.
Programação Abrangente para Conscientização e Empoderamento
As atividades no Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha iniciaram cedo na sexta-feira, 6 de março. Pela manhã, os estudantes dedicaram-se à criação de faixas, com frases que celebram o empoderamento feminino e clamam por direitos e respeito. Essas mensagens visuais foram o ponto de partida para uma passeata que percorreu as ruas do distrito de Coroa Vermelha, levando a conscientização diretamente aos moradores locais e promovendo uma visibilidade significativa para a causa.
No período da tarde, a programação seguiu com a exibição de filmes que abordam temáticas relacionadas à mulher, seguidos por dinâmicas interativas e rodas de conversa. Esses momentos foram planejados para estimular o diálogo aberto e a troca de experiências entre alunos e professores do turno vespertino, criando um ambiente seguro para discutir questões complexas e pessoais.
A culminância das ações ocorreu no período noturno, com os estudantes do turno noturno realizando uma visita à Aldeia Mirapré. Lá, participaram de uma noite cultural rica em tradições e saberes, fortalecendo os laços comunitários e a valorização da identidade indígena, ao mesmo tempo em que reforçavam a mensagem de união e luta por direitos.
A Voz da Comunidade: Reflexões e Necessidade de Ação
A professora Siuane de Oliveira, uma das articuladoras do evento, enfatizou a necessidade de expandir o debate sobre a violência de gênero para além dos limites escolares. Ela destacou a relevância de trazer essa discussão para a comunidade, especialmente após um caso recente de feminicídio que chocou a comunidade indígena local. “Neste ano, sentimos a necessidade de mostrar para a comunidade que as nossas meninas não podem se calar e que devem denunciar todo tipo de violência”, afirmou a professora, evidenciando a urgência e a sensibilidade do tema.
A estudante Camila Tamikuã, cursando o 3º ano do ensino médio, compartilhou sua perspectiva sobre a importância do momento: “A caminhada serve para conscientizar e reforçar a importância de combater a violência contra a mulher, garantindo a nossa segurança e os nossos direitos”. Sua fala reflete o sentimento de muitos jovens que buscam um futuro mais seguro e equitativo, onde a violência de gênero seja uma realidade do passado.
A participação ativa dos estudantes na concepção e execução das atividades demonstra um engajamento notável com a causa, transformando a escola em um polo de conscientização e mobilização social. A união entre corpo docente e discente fortalece o impacto das ações, promovendo um ambiente de aprendizado e transformação.
Próximos Passos e Ampliação das Iniciativas
As iniciativas de combate à violência de gênero não se encerrarão com a programação do dia 6 de março. A professora Siuane de Oliveira adiantou que novos encontros já estão planejados para a semana seguinte, mantendo o ritmo de conscientização e diálogo. Um dos destaques será uma mesa-redonda com mulheres líderes, voltada para os estudantes do turno noturno.
Este encontro contará com a presença de figuras importantes, como a delegada da Polícia Civil de Porto Seguro, Rosângela Sousa, além de outras referências femininas da região. A participação de autoridades e líderes comunitárias visa oferecer diferentes perspectivas e fortalecer o empoderamento das jovens, mostrando caminhos e exemplos de superação e luta por direitos.
As ações do Março Mulher 2026 se estendem por todo o mês de março, abrangendo os 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTEs) do estado da Bahia. Na terça-feira seguinte, 10 de março, será celebrado o Dia M, com atividades pedagógicas específicas desenvolvidas em todas as unidades escolares participantes. Essa data reforça o compromisso contínuo com a educação e a promoção de uma cultura de respeito e igualdade.
Adicionalmente, a Secretaria da Educação do Estado, por meio da Coordenação de Educação Antirracista, tem intensificado as ações do Projeto Oxe, Me Respeite – Nas Escolas. Este projeto busca ampliar as atividades formativas, promover oficinas pedagógicas, intervenções artísticas e criar espaços de diálogo dentro das escolas, abordando não apenas a violência de gênero, mas também questões raciais e de igualdade, em uma abordagem multifacetada para a transformação social.
O Papel da Educação na Luta Contra a Violência de Gênero
A escola se consolida como um espaço fundamental para a desconstrução de preconceitos e a promoção de uma cultura de paz e igualdade. Iniciativas como as realizadas no Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha são essenciais para alertar e capacitar os jovens a identificar, combater e denunciar a violência de gênero. Ao trazer o debate para a comunidade, a escola cumpre um papel social ainda mais amplo, contribuindo para a proteção e o empoderamento das mulheres.
A violência contra a mulher é um problema social complexo, com raízes históricas e culturais profundas. A educação, portanto, emerge como uma ferramenta poderosa para promover mudanças de mentalidade e comportamento. Ao abordar o tema de forma contínua e integrada ao currículo escolar, é possível formar cidadãos mais conscientes, críticos e engajados na construção de uma sociedade onde o respeito e a dignidade sejam valores inegociáveis para todos.
O envolvimento de autoridades locais, como a delegada Rosângela Sousa, e a participação de lideranças comunitárias e estudantis, como Camila Tamikuã, conferem maior legitimidade e alcance às ações. Essas parcerias demonstram que a luta contra a violência de gênero é um esforço coletivo, que exige a colaboração de diversos setores da sociedade para alcançar resultados efetivos e duradouros.
A continuidade das ações ao longo do mês de março e a integração com projetos mais amplos, como o Oxe, Me Respeite – Nas Escolas, indicam um compromisso firme do governo estadual em enfrentar essa problemática de forma sistêmica. A educação antirracista, ao lado da educação para a igualdade de gênero, forma pilares essenciais para a construção de um futuro mais justo e inclusivo para todas as pessoas.


