Bahia

Sema-BA participa de intercâmbio nacional sobre manejo integrado do fogo na Serra da Canastra, MG

Sema-BA aprimora manejo de fogo em intercâmbio nacional na Serra da Canastra A Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) está participando ativamente de um intercâmbio nacional f

news 9845 1775730904

Sema-BA aprimora manejo de fogo em intercâmbio nacional na Serra da Canastra

A Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) está participando ativamente de um intercâmbio nacional focado no Manejo Integrado do Fogo (MIF), realizado no Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. O evento, que teve início na última terça-feira (07) e se estende até este sábado (11), reúne especialistas de diversas instituições e unidades de conservação de todo o país.

O objetivo principal é promover a troca de experiências, discutir estratégias inovadoras e aprofundar o conhecimento sobre a aplicação planejada do fogo como um instrumento essencial para a gestão ambiental. A iniciativa, coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) através do Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF), alinha-se à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, recém-aprovada.

A participação da Sema neste encontro sublinha a importância da integração de políticas públicas e da colaboração entre estados para o fortalecimento de práticas de prevenção e controle de incêndios florestais. O intercâmbio busca consolidar o MIF como uma ferramenta eficaz, reconhecendo que a exclusão total do fogo, em alguns ecossistemas, pode acarretar riscos maiores de incêndios de grande proporção.

Conforme informações divulgadas pela Ascom/Sema, a atividade tem como foco apresentar, de forma prática, os resultados exitosos do Manejo Integrado do Fogo implementado no Parque Nacional da Serra da Canastra, reconhecido como referência nacional na adoção dessa estratégia.

Intercâmbio Nacional: Um Marco para a Gestão Ambiental do Fogo

Desde 2014, o intercâmbio promovido pelo ICMBio tem evoluído, expandindo sua participação para além dos quadros internos do instituto e incorporando órgãos ambientais estaduais. Essa ampliação consolidou o evento como um espaço vital para a difusão de boas práticas e o intercâmbio de saberes entre gestores e técnicos. O foco recai sobre a apresentação aplicada dos resultados do MIF, demonstrando sua eficácia em unidades de conservação.

O Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF) lidera a coordenação do encontro, que faz parte de uma estratégia nacional mais ampla. Esta estratégia visa a qualificação contínua de gestores e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção e ao controle de incêndios florestais. A abordagem prioriza o aprendizado prático, combinando atividades de campo com momentos de reflexão técnica.

A programação do intercâmbio inclui reuniões técnicas essenciais realizadas na sede do parque. Nessas reuniões, são apresentados o Plano de Manejo Integrado do Fogo, o planejamento geral da unidade de conservação e um detalhado histórico das ocorrências de incêndios na região. Essa imersão teórica é complementada por visitas técnicas a áreas que sofreram com o fogo, tanto em eventos naturais quanto em intervenções planejadas.

Parceria e Troca de Experiências com Diversas Instituições

A presença de diversos órgãos e instituições no intercâmbio reforça o caráter colaborativo da iniciativa. Além da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), participam representantes do próprio ICMBio, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBM-MG) e de São Paulo (CBM-SP). Estão presentes também o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF-MG) e a Fundação Florestal de São Paulo, por meio da Escola Experimental de Jataí.

Essa diversidade de participantes permite uma visão multifacetada dos desafios e soluções no manejo do fogo. A troca de experiências entre diferentes biomas e realidades contribui para o desenvolvimento de estratégias mais robustas e adaptadas. O contato direto com as práticas implementadas em unidades de conservação com histórico de sucesso, como a Serra da Canastra, é fundamental para o aprimoramento das ações em outras regiões do país.

A participação da Sema é um indicativo do compromisso do estado da Bahia em integrar-se a iniciativas nacionais que visam a gestão ambiental eficaz. O intercâmbio amplia o acesso a conhecimentos consolidados e a estratégias que já demonstraram resultados positivos em diferentes contextos ecológicos. Isso é especialmente relevante diante do cenário atual de aumento na incidência de incêndios florestais, frequentemente associados a fatores climáticos e à ação humana.

Manejo Integrado do Fogo: Uma Abordagem Essencial para Ecossistemas Adaptados

Pablo Rabelo, coordenador das ações do Programa Bahia Sem Fogo e representante da Sema no intercâmbio, destacou a importância da atividade. “A experiência está em consonância com a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024, e deve contribuir diretamente para a implementação do MIF nas unidades de conservação da Bahia”, afirmou.

Ele ressaltou um ponto crucial: “Existem ecossistemas adaptados ao fogo, e a exclusão completa desse elemento, como ainda ocorre em algumas regiões que adotam a política de ‘fogo zero’, pode favorecer a ocorrência de incêndios de grandes proporções”. Essa declaração sublinha a necessidade de uma abordagem mais matizada e científica, que reconheça o papel ecológico do fogo em determinados ambientes.

A abordagem adotada no intercâmbio prioriza o aprendizado prático, com atividades em campo articuladas a momentos de reflexão técnica. Isso favorece uma compreensão mais abrangente dos desafios e das soluções relacionadas ao manejo do fogo em unidades de conservação. A análise in loco de diferentes cenários e respostas de manejo permite que os participantes desenvolvam um olhar crítico e propositivo.

A Importância do MIF para a Bahia e o Cenário Nacional

A participação da Sema no intercâmbio na Serra da Canastra reforça a integração da Bahia a iniciativas nacionais de gestão ambiental. O contato direto com estratégias consolidadas em outros biomas contribui significativamente para o aprimoramento das ações desenvolvidas no estado. Isso é particularmente importante em um contexto de aumento de incêndios florestais, impulsionados por fatores climáticos e pela ação humana.

A política de Manejo Integrado do Fogo busca equilibrar a prevenção e o uso controlado do fogo, reconhecendo sua importância ecológica e seu potencial como ferramenta de gestão. Ao invés de uma abordagem de “fogo zero”, que pode levar ao acúmulo de biomassa e, consequentemente, a incêndios mais intensos e difíceis de controlar, o MIF propõe um planejamento estratégico.

Este planejamento considera as características de cada ecossistema, os ciclos naturais do fogo e as necessidades de conservação. O objetivo é reduzir o risco de incêndios catastróficos, promover a saúde dos ecossistemas e proteger a biodiversidade, ao mesmo tempo em que se busca a segurança das comunidades e a preservação de infraestruturas. A colaboração entre estados e instituições é, portanto, um pilar fundamental para o sucesso dessas políticas em âmbito nacional.