Política
Boulos defende PEC da Segurança Pública para combater crime organizado e critica interferência dos EUA
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou a importância da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para o enfrenta
Boulos defende PEC da Segurança Pública para combater crime organizado e critica interferência dos EUA
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou a importância da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública para o enfrentamento eficaz do crime organizado no Brasil. Em sua primeira participação no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, Boulos ressaltou que a proposta, enviada ao Congresso Nacional em abril do ano passado, visa instrumentalizar a Polícia Federal e outras instituições de segurança para atuar em todo o território nacional, superando barreiras estaduais na repressão a organizações criminosas.
A argumentação do ministro baseia-se na natureza transnacional das atividades criminosas. Segundo Boulos, a limitação atual, que restringe a atuação policial aos limites estaduais, torna-se um obstáculo significativo quando se trata de desarticular grupos que operam em diversas jurisdições. A PEC busca, portanto, conferir maior capilaridade e capacidade de ação às forças de segurança pública, permitindo uma resposta mais integrada e efetiva contra a criminalidade organizada.
Adicionalmente, Boulos abordou a relação do Brasil com os Estados Unidos no contexto do combate ao crime. Ele expressou ceticismo quanto às motivações de Donald Trump, atual presidente dos EUA, sugerindo que o interesse americano na América Latina pode estar mais ligado à exploração de recursos do que a uma genuína cooperação em segurança. O ministro defendeu que qualquer parceria com os EUA deve priorizar a extradição de criminosos que se refugiam em território americano.
Conforme informações divulgadas pela Rádio Nacional, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como uma ferramenta essencial para o combate ao crime organizado. A declaração reforça a visão do governo federal sobre a necessidade de aprimorar os mecanismos legais e institucionais para lidar com um fenômeno criminoso que transcende fronteiras estaduais.
A PEC como ferramenta para o combate ao crime organizado
Guilherme Boulos explicou que a PEC da Segurança Pública tem o objetivo de proporcionar às instituições de segurança, como a Polícia Federal, as condições necessárias para combater o crime organizado em âmbito nacional. Atualmente, a Constituição Federal prevê que a segurança pública é uma atribuição dos estados, o que, na visão do ministro, cria um gargalo na atuação contra organizações que operam de forma descentralizada e em múltiplas localidades. “Se o crime organizado é nacional, como é que a Polícia Civil de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou da Bahia vai ter condições de fazer o combate no Brasil todo? Vai fazer no seu território”, argumentou Boulos, evidenciando a insuficiência do modelo atual.
A proposta de emenda constitucional busca, portanto, flexibilizar essas atribuições, permitindo que as forças federais de segurança atuem de maneira mais coordenada e abrangente, independentemente dos limites territoriais estaduais. Essa mudança é vista como crucial para desmantelar redes criminosas complexas, que frequentemente utilizam diferentes estados como bases de operação, rotas de fuga ou locais para lavagem de dinheiro. A medida visa, em essência, equiparar a capacidade de resposta do Estado à complexidade e ao alcance das atividades criminosas.
O ministro demonstrou otimismo quanto à aprovação da PEC no Congresso Nacional, indicando que a proposta tem potencial para ser um divisor de águas na política de segurança pública do país. A efetividade dessa emenda também poderá fortalecer a colaboração internacional, especialmente com países como os Estados Unidos, para enfrentar o crime organizado.
Críticas à atuação dos Estados Unidos e a proposta de cooperação
Em sua fala, Boulos também teceu críticas à postura dos Estados Unidos em relação à América Latina, especialmente no que diz respeito à cooperação em segurança. Ele expressou desconfiança sobre as verdadeiras intenções de Donald Trump, sugerindo que o interesse americano pode ser motivado pela exploração de recursos naturais, como petróleo, minerais críticos e terras raras, em detrimento de uma parceria equitativa e focada no bem-estar dos países latino-americanos. “A preocupação do Trump não é com o crime organizado. Ele quer fazer da América Latina um quintal”, afirmou o ministro.
Diante desse cenário, Boulos defendeu que a cooperação com os Estados Unidos, prevista para ser discutida em março entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, deve ter um foco claro na investigação e extradição de criminosos brasileiros que se encontram foragidos em solo americano. Ele citou, sem nomear diretamente, o caso de um empresário investigado por um esquema de sonegação fiscal bilionário, que estaria vivendo em uma mansão em Miami, evidenciando a necessidade de uma ação conjunta para repatriar foragidos da justiça brasileira.
O ministro enfatizou que a colaboração deveria começar pela deportação de indivíduos que, segundo a justiça brasileira, lideram esquemas criminosos e buscam refúgio nos EUA. Essa abordagem visa garantir que a parceria bilateral seja efetivamente direcionada ao combate à impunidade e ao fortalecimento do Estado de Direito, em vez de servir a interesses geopolíticos ou econômicos unilaterais. A expectativa é que os EUA colaborem na extradição de criminosos que se escondem em seu território, em vez de focar em outras agendas.
Fortalecimento das instituições e o debate sobre a democracia
Boulos aproveitou a ocasião para reforçar o compromisso do governo federal em investigar crimes no Brasil, mesmo quando envolvem pessoas ligadas a indicações políticas. Ele mencionou o trabalho da Controladoria-Geral da União (CGU) no apuração de casos como as fraudes em aposentadorias e pensões do INSS, que, embora iniciadas antes da atual gestão, estão sendo investigadas com rigor, inclusive com a responsabilização de indicados políticos. Essa postura demonstra a intenção do governo em promover a transparência e a responsabilização.
O ministro também defendeu um


