Política

Ciro Gomes define em maio se disputa Presidência pela 5ª vez ou Governo do Ceará em 2026

Ciro Gomes anuncia decisão sobre candidatura presidencial ou estadual para 2026 em maio O presidenciável Ciro Gomes (PSDB-CE) sinalizou que a definição sobre seu futuro político na

news 10885 1777205043

Ciro Gomes anuncia decisão sobre candidatura presidencial ou estadual para 2026 em maio

O presidenciável Ciro Gomes (PSDB-CE) sinalizou que a definição sobre seu futuro político nas eleições de 2026 ocorrerá até a primeira quinzena de maio. A decisão pendulará entre a disputa pela Presidência da República, em sua quinta tentativa, ou a candidatura ao governo do Ceará. A declaração foi feita durante um evento do PSDB em São Paulo, reunindo pré-candidatos da legenda.

Esta agenda pública marca a primeira aparição de Gomes após receber um convite formal do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, para concorrer ao Palácio do Planalto. A incerteza sobre o projeto nacional do partido e os resultados eleitorais de 2022 influenciam diretamente a estratégia de Ciro.

A possível candidatura ao governo cearense surge como uma alternativa para contornar dificuldades políticas em âmbito nacional e fortalecer a oposição no estado. Gomes expressou a necessidade de uma “ruptura política” no Brasil, avaliando a viabilidade de sua postulação presidencial nas próximas semanas.

Conforme informações divulgadas pelo próprio Ciro Gomes, a definição sobre seu futuro eleitoral está em curso e será comunicada em breve. A avaliação considera tanto o cenário nacional quanto as dinâmicas políticas regionais, com especial atenção ao estado do Ceará.

Reflexões pós-2022 e o cenário cearense

Ciro Gomes relembrou o impacto de sua última campanha presidencial em 2022, quando se posicionou como uma alternativa à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). O resultado eleitoral representou uma “humilhação profunda” para o ex-governador, que pela primeira vez não obteve a vitória em seu estado natal, Ceará, e sequer liderou em sua cidade.

“Para mim, foi uma humilhação profunda. Foi a primeira vez que perdi uma eleição no Ceará. Em todas as outras disputas presidenciais, eu perdia no Brasil e voltava para casa dizendo: ‘quem me conhece, votou’. Desta vez, não só perdi no Ceará, como fiquei em um terceiro lugar vexaminoso na minha cidade”, relatou Gomes.

Diante desse cenário, a possibilidade de disputar o governo estadual ganhou força. Segundo Ciro, essa alternativa poderia facilitar a superação de obstáculos partidários em nível nacional e focar energias em uma disputa regional com maiores chances de sucesso. “Então me recolhi ao Ceará e, junto com o Tasso Jereissati, meu amigo de longa data, começamos a refletir sobre esse pedaço do Brasil que é o Ceará”, explicou.

Após deixar o PDT e retornar ao PSDB, Ciro Gomes buscou articular uma aliança de oposição no Ceará, contando com o apoio inicial do PL e do União Brasil. O objetivo era formar uma chapa encabeçada pelo PSDB para enfrentar o então governador petista Elmano de Freitas. No entanto, desentendimentos com Michelle Bolsonaro (PL-DF) suspenderam a aliança.

As conversas foram retomadas com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas os planos de uma candidatura nacional do PSDB voltaram a adiar a consolidação de uma frente de oposição nas urnas cearenses. A articulação para a disputa estadual, que envolveria Ciro, enfrenta desafios relacionados às estratégias nacionais do partido.

Segurança pública e postura combativa

Em sua pré-campanha, Ciro Gomes tem priorizado o tema da segurança pública, especialmente diante do cenário de expansão do crime organizado e do domínio de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Ceará. Ele critica a alocação de recursos federais para a área.

“Quero saber quem, sendo cristão de verdade, aceita que um país como o Brasil gaste mais com propaganda do governo do que com segurança pública — e ainda fale isso de forma elegante, como um lord inglês, o que eu jamais serei”, disse o tucano durante o evento em São Paulo.

Gomes também abordou as críticas que recebe no meio político por suas declarações, adotando uma postura combativa. Ele se descreve como “rebelde” e, por vezes, “temperamental”, justificando que, ao não concordar com todas as posições, enfrenta rótulos negativos, já que não pode ser acusado de roubo ou incompetência.

“De forma rebelde — às vezes, como diz o Lula, de maneira temperamental —, porque, se você não disser amém para tudo isso, eles dão um jeito. Como não podem me chamar de ladrão, nem de incompetente, recorrem a outros rótulos”, rebateu o ex-governador.

PSDB em busca de protagonismo nacional

No mesmo evento, o pré-candidato ao governo de São Paulo, Paulo Serra, defendeu o papel de destaque do PSDB no cenário político brasileiro e declarou sua disponibilidade para integrar um “projeto maior” do partido no estado. Ele ressaltou a trajetória de sucesso do PSDB em gestões estaduais.

“O PSDB chegou a governar metade dos estados do Brasil, todos com altos índices de aprovação em gestão. Isso só foi possível graças ao enfrentamento dos problemas reais da população”, afirmou Serra, atual presidente do PSDB paulista.

Ele rebateu previsões sobre o declínio do partido, declarando que o PSDB “está mais vivo do que nunca”. A meta, segundo ele, é resgatar o protagonismo e recolocar o partido no centro dos debates políticos, apresentando propostas e candidaturas fortes.

O ex-senador José Aníbal reforçou a necessidade de o PSDB lançar uma candidatura própria à Presidência e disputar o governo paulista. Ele defendeu políticos que honrem o legado do partido em São Paulo e a gestão de Fernando Henrique Cardoso durante um período de alta inflação no Brasil.

“Precisamos de políticos que honrem o que o PSDB fez em São Paulo ao longo de 25 anos de mandato. Precisamos de quem honre o que Fernando Henrique Cardoso fez pelo Brasil numa época de indiscutível inflação. Por isso, acredito numa candidatura de Ciro Gomes, à Presidência, e de Paulo Serra, para governador”, declarou Aníbal.

O evento também contou com uma homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, aos 94 anos, enfrenta complicações de saúde devido ao agravamento de sua condição de Alzheimer. A celebração da memória de FHC ressalta a importância histórica do PSDB e a necessidade de renovação e rearticulação do partido.