Política
Geração Prateada: Eleitores com mais de 60 anos crescem 74% e se tornam decisivos para eleições
Geração Prateada ganha força e pode ser fiel da balança nas próximas eleições O cenário eleitoral brasileiro está prestes a ter um novo protagonista: a população com 60 anos ou mai
Geração Prateada ganha força e pode ser fiel da balança nas próximas eleições
O cenário eleitoral brasileiro está prestes a ter um novo protagonista: a população com 60 anos ou mais, apelidada de Geração Prateada. Uma pesquisa recente aponta um crescimento expressivo neste grupo de eleitores, que aumentou 74% entre 2010 e março deste ano. Esse avanço supera em cinco vezes o crescimento do eleitorado geral no mesmo período, transformando os idosos em um bloco com potencial decisivo para o resultado das urnas.
O levantamento, conduzido pela Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), demonstra que o número de brasileiros com 60+ aptos a votar saltou de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em 2024. Enquanto isso, o eleitorado total cresceu apenas 15% na mesma janela temporal, saindo de 135,8 milhões para 156,2 milhões de votantes.
Esses números sinalizam uma mudança demográfica significativa no perfil do eleitorado brasileiro, que pode ter implicações diretas nas estratégias de campanha e nos resultados das eleições. A crescente participação e o peso eleitoral da Geração Prateada colocam esse segmento como um alvo prioritário para os candidatos, especialmente em um contexto de polarização política.
Aumento expressivo do eleitorado 60+
Conforme dados divulgados pela Nexus-Pesquisa, a chamada Geração Prateada, composta por eleitores com 60 anos ou mais, apresentou um crescimento de 74% entre 2010 e março de 2024. Esse aumento é notavelmente superior à média do eleitorado geral, que registrou uma expansão de 15% no mesmo período. A pesquisa, que utilizou dados do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indica que o número de votantes idosos passou de 20,8 milhões para 36,2 milhões.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, ressalta que esses números ainda podem sofrer alterações até o dia 6 de maio, prazo final para o alistamento eleitoral. Ele destaca a relevância estratégica desse segmento, afirmando que a Geração Prateada “pode ser decisiva nas eleições, embora não se possa dizer que ela, sozinha, definirá o resultado”.
A expansão da Geração Prateada reflete o aumento da longevidade da população brasileira e o envelhecimento demográfico. Segundo o levantamento, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais na população geral saltou de 7% para 16% em três décadas. Paralelamente, o eleitorado 60+ já representa 23,2% do total de votantes no país, configurando um bloco com poder de influência considerável.
Geração Prateada: um bloco decisivo em cenários polarizados
A força da Geração Prateada no cenário eleitoral ganha contornos ainda mais estratégicos quando analisada em contextos de acirramento político. Marcelo Tokarski, CEO da Nexus-Pesquisa, aponta que, em eleições com margens de vitória apertadas, como a de 2022, o voto dos idosos pode ser o fiel da balança. Ele explica que a diferença entre os candidatos na última eleição presidencial foi inferior a 2 milhões de votos, o que torna esse contingente populacional extremamente relevante.
Atualmente, um em cada quatro eleitores no Brasil tem 60 anos ou mais. Esse peso numérico confere à Geração Prateada a capacidade de influenciar significativamente o resultado em sistemas eleitorais equilibrados. “Assim, embora não determine o resultado de forma isolada, pode atuar como fiel da balança, especialmente em cenários polarizados”, afirmou Tokarski.
A tendência de crescimento da participação de idosos nas urnas é uma reflexão direta do aumento da expectativa de vida e do envelhecimento populacional. Tokarski prevê que “a tendência é claramente de que a proporção de eleitores seniores acompanhe e até reflita diretamente o aumento da longevidade e do envelhecimento populacional”.
Queda na abstenção e maior engajamento eleitoral
Outro dado relevante apontado pela pesquisa é a queda na taxa de abstenção entre os eleitores com mais de 60 anos nas últimas três eleições. Em 2014, 37,1% desse grupo não compareceu às urnas; em 2018, o índice caiu para 36,4%; e em 2022, atingiu 34,5%. Em contrapartida, a abstenção do eleitorado brasileiro em geral apresentou um leve aumento no mesmo período, passando de 19,4% em 2014 para 20,9% em 2022.
O comportamento eleitoral dos maiores de 70 anos, apesar de apresentarem uma taxa de abstenção ainda superior à média da Geração 60+, também demonstra um comparecimento crescente. Sem a obrigatoriedade do voto, esse público registrou 63,6% de abstenção em 2014, 62,7% em 2018 e 58,9% em 2022. Essa redução indica um maior engajamento com o processo eleitoral.
Marcelo Tokarski avalia que os brasileiros com mais de 70 anos que votam o fazem por forte convicção ou identificação política. Ele os coloca, juntamente com os jovens eleitores de 16 a 18 anos, como faixas etárias cruciais a serem “conquistadas” pelos candidatos. Em cenários de disputa acirrada, a participação desse grupo pode ser determinante para a virada de resultados.
Aumento de candidatos idosos reflete nova realidade demográfica
O reflexo do envelhecimento populacional e da crescente participação dos idosos no processo político não se limita apenas ao eleitorado. O número de candidatos com 60 anos ou mais também tem apresentado um aumento consistente, tanto em eleições gerais quanto municipais. Dados do TSE indicam que, nas eleições de 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60+ se candidataram, o que representa 15% de todas as candidaturas.
Esse montante é o maior já registrado desde o início da série histórica em 1998. As eleições gerais de 2022 também marcaram um recorde para o segmento, com 4.873 candidatos com 60 anos ou mais, correspondendo a 17% do total de candidaturas naquele pleito. Essa ascensão de candidatos mais velhos sugere uma maior representatividade e um reconhecimento da força desse grupo etário na política.
A pesquisa completa sobre o tema foi divulgada no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, oferecendo um panorama detalhado sobre a influência da Geração Prateada no futuro político do país e a necessidade de os partidos e candidatos adaptarem suas estratégias para dialogar com esse segmento cada vez mais ativo e numeroso do eleitorado brasileiro.


