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I Seminário Agroecologia contra a Fome debate estratégias inovadoras para erradicar a insegurança alimentar na Bahia

Bahia Busca Soluções Integradas O Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador, foi palco do I Seminário Agroecologia contra a Fome, um marco para o debate sobre a produção de alim

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Agroecologia e Combate à Fome: Bahia Busca Soluções Integradas

O Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador, foi palco do I Seminário Agroecologia contra a Fome, um marco para o debate sobre a produção de alimentos saudáveis como pilar no enfrentamento à insegurança alimentar na Bahia. A iniciativa, parte do projeto Agroecologia contra a Fome com financiamento do edital Viva Horta, da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), visa articular esforços e fortalecer a agricultura familiar.

O encontro, organizado pelo Serviço de Assessoria a Organizações Populares (SASOP) em parceria com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), reuniu um espectro diversificado de atores: representantes do poder público, organizações da sociedade civil, pesquisadores e lideranças do campo. O objetivo principal foi discutir políticas de abastecimento popular e ações estruturantes para garantir a segurança alimentar e nutricional no estado.

A importância da agricultura familiar como base para o combate à fome foi um dos pontos centrais. A colaboração entre Estado e sociedade civil emerge como fundamental para a construção de um sistema alimentar mais justo e sustentável, capaz de levar comida de qualidade à mesa de todos os baianos, desde os centros urbanos até as áreas rurais.

Conforme informações divulgadas pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), o seminário representou um passo significativo na busca por soluções conjuntas e eficazes para um dos desafios mais prementes da sociedade contemporânea.

Fortalecendo a Agricultura Familiar como Pilar contra a Insegurança Alimentar

O Secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso, ressaltou a indissociável relação entre o fortalecimento da agricultura familiar e a implementação de políticas efetivas de combate à fome. Para ele, a produção de alimentos saudáveis tem sua origem primordial no campo, onde a autonomia produtiva é construída e a qualidade da alimentação da população é garantida por meio de políticas públicas bem estruturadas.

Essa visão foi ecoada durante a mesa de abertura do seminário, que contou com a participação de representantes de importantes instituições como o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional da Bahia (CONSEA-BA), o programa Bahia Sem Fome, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e diversos órgãos estaduais. Essa articulação interinstitucional demonstra o compromisso em promover uma atuação coordenada e integrada.

Ao longo do evento, mesas temáticas aprofundaram a discussão sobre os caminhos institucionais para o enfrentamento à fome, além de apresentar e analisar experiências exitosas desenvolvidas na Região Metropolitana de Salvador. O foco esteve em como replicar e escalar essas iniciativas para outras regiões do estado.

O evento sublinhou a necessidade de políticas públicas que, além de apoiarem a produção, promovam o acesso a alimentos saudáveis e incentivem a geração de emprego e renda no campo, criando um ciclo virtuoso para o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar.

Iniciativas e Projetos: Da Produção ao Abastecimento Urbano

Carlos Eduardo Leite, coordenador do SASOP na Bahia, destacou que o seminário marca o início de uma construção mais ampla e ambiciosa. Ele descreveu o projeto como um piloto que pretende ir além da política de produção de alimentos na região metropolitana, abrangendo também estratégias de abastecimento alimentar e o fortalecimento da agricultura urbana.

A intenção é integrar políticas de segurança alimentar, combate à fome e produção de alimentos de forma que estas cheguem de maneira articulada à população urbana, periurbana e rural. Essa abordagem integrada visa garantir que os alimentos saudáveis produzidos cheguem a quem mais precisa, em todas as esferas da sociedade baiana.

O projeto pilotado pelo SASOP busca, portanto, criar um elo forte entre a produção no campo e a mesa do consumidor, utilizando a agroecologia como ferramenta para a sustentabilidade e a soberania alimentar. A ideia é que essas ações se complementem, gerando um impacto positivo e duradouro.

A articulação entre diferentes esferas – produção, distribuição, acesso e consumo – é vista como essencial para superar as barreiras da fome e da má nutrição, promovendo um sistema alimentar mais resiliente e equitativo para todos os baianos.

Políticas Públicas e o Papel Fundamental na Construção da Segurança Alimentar

Beto Palmeira, integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), enfatizou a centralidade das políticas públicas nesse processo de transformação. Ele ressaltou a importância de iniciativas como o edital Viva Horta, executado a partir de um planejamento governamental e com recursos públicos direcionados.

Palmeira apontou a necessidade de articular essas políticas de produção e acesso a alimentos saudáveis com a política estadual de abastecimento e com programas de geração de emprego e renda. Essa conexão é vista como crucial para garantir que os benefícios da agricultura familiar e agroecológica se estendam a toda a sociedade.

A participação de representantes do governo, como o Secretário Osni Cardoso, reforça o compromisso em apoiar e implementar essas políticas. A presença de diversos órgãos estaduais e municipais no seminário demonstra a disposição em criar sinergias e otimizar os recursos disponíveis para o combate à fome.

A integração entre o poder público e as organizações da sociedade civil, como SASOP e MPA, é um modelo a ser seguido. Essa parceria fortalece a democracia, a participação social e a capacidade de resposta às necessidades da população, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade alimentar.

Experiências Locais e o Potencial da Agroecologia Urbana

O seminário dedicou parte de sua programação à análise de experiências desenvolvidas na Região Metropolitana de Salvador. Essas práticas locais, muitas vezes originadas em pequenos grupos de agricultores ou em iniciativas comunitárias, demonstram o potencial da agroecologia em diferentes contextos, incluindo o urbano e periurbano.

A discussão sobre agricultura urbana e periurbana ganha cada vez mais relevância, pois conecta diretamente a produção de alimentos com o consumo em grandes centros. Isso reduz a necessidade de longos transportes, diminui o desperdício e fortalece a economia local, além de oferecer alimentos frescos e saudáveis diretamente aos moradores das cidades.

A troca de experiências entre os participantes permitiu identificar boas práticas, desafios comuns e possíveis soluções colaborativas. O compartilhamento de saberes entre agricultores, técnicos, pesquisadores e gestores públicos é fundamental para o avanço da agroecologia no estado.

O I Seminário Agroecologia contra a Fome, portanto, não foi apenas um espaço de debate, mas um catalisador para a articulação de novas estratégias e o fortalecimento de redes de cooperação. A expectativa é que as discussões e os compromissos firmados durante o evento se traduzam em ações concretas e efetivas para garantir um futuro com mais segurança alimentar e nutricional para a Bahia.