Bahia

Seplan Realiza Palestra Essencial Sobre Equidade de Gênero na Administração Pública em Salvador

A Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), por meio da Diretoria-Geral (DG), promoveu na última segunda-feira (23) um importante debate sobre a equidade de gênero na administr

news 8902 1774363351

Seplan Realiza Palestra Essencial Sobre Equidade de Gênero na Administração Pública em Salvador

A Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), por meio da Diretoria-Geral (DG), promoveu na última segunda-feira (23) um importante debate sobre a equidade de gênero na administração pública. A palestra, intitulada “Equidade de Gênero na Administração Pública”, ocorreu no auditório da instituição e integrou as celebrações do Mês da Mulher, reforçando o compromisso do órgão com a promoção de um ambiente de trabalho mais justo e igualitário.

O evento contou com a participação de Márcia Teixeira, promotora de Justiça de Direitos Humanos com vasta experiência na defesa dos direitos da população LGBTQIA+. Mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e conselheira do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Teixeira trouxe uma perspectiva aprofundada sobre os desafios e as estratégias para alcançar a equidade de gênero no setor público.

A iniciativa da Seplan visa não apenas celebrar o Mês da Mulher, mas também dar continuidade a um ciclo de palestras focado no combate à violência contra a mulher e na promoção da igualdade nas relações institucionais. A diretora-geral da Seplan, Kalyanne Braz, ressaltou a relevância da ação, enfatizando que o enfrentamento das desigualdades de gênero exige uma mobilização constante e articulada entre diferentes esferas da sociedade.

Conforme informações divulgadas pela Seplan, a palestra abordou temas cruciais como assédio moral e sexual, as vulnerabilidades específicas enfrentadas por servidores em cargos comissionados ou contratações temporárias, e a importância de buscar apoio institucional e jurídico em casos de violência ou discriminação. O debate está alinhado às diretrizes do Programa Bahia de Integridade Pública (PBIP), que prioriza a promoção da equidade, diversidade e inclusão.

A Necessidade de Mobilização Permanente pela Equidade de Gênero

A diretora-geral da Seplan, Kalyanne Braz, destacou a importância da palestra como parte de um esforço contínuo para discutir e combater as desigualdades de gênero dentro do serviço público. Segundo ela, a promoção da equidade é um processo que demanda mobilização permanente e a colaboração de diversos setores. “Precisamos unir esforços, envolvendo poder público, políticas públicas, área da saúde e sociedade, para avançar na promoção da equidade e na melhoria da vida das mulheres”, afirmou Braz, sublinhando a necessidade de uma abordagem multifacetada.

A fala da diretora-geral reforça a ideia de que a busca pela igualdade de gênero não se limita a ações pontuais, mas requer um compromisso contínuo com a criação e a implementação de políticas que promovam um ambiente de trabalho respeitoso e inclusivo. A Seplan, ao promover este tipo de evento, demonstra seu papel ativo na conscientização e na transformação das práticas institucionais.

O ciclo de palestras ao qual a atividade se insere tem como objetivo principal a discussão aberta e honesta sobre a violência contra a mulher e as diversas formas de desigualdade que ainda persistem no ambiente de trabalho. A iniciativa é vista como fundamental para a construção de uma administração pública mais representativa e justa.

Assédio no Serviço Público: Formas, Consequências e Orientação

Durante sua apresentação, Márcia Teixeira aprofundou o debate sobre as formas de assédio que podem ocorrer no ambiente de trabalho público, incluindo o assédio moral e sexual. Ela explicou que essas práticas se manifestam de maneiras diversas e exigem atenção especial, pois podem gerar um impacto devastador na saúde mental e na carreira dos profissionais afetados. A promotora enfatizou a importância de buscar orientação adequada nesses casos.

“Quem se sente assediado deve procurar instituições, advogados ou a Defensoria Pública para saber como agir”, orientou Teixeira. Ela esclareceu que as situações de assédio podem acarretar tanto medidas administrativas quanto responsabilidade criminal para os agressores, demonstrando a seriedade com que tais condutas devem ser tratadas pelo poder público. A clareza sobre os direitos e os caminhos a serem seguidos é um passo crucial para as vítimas.

A promotora também alertou para as vulnerabilidades específicas de alguns vínculos de trabalho na administração pública. Cargos comissionados e contratações temporárias, como as realizadas via Regime Especial de Direito Administrativo (REDA), podem agravar o problema. O receio de perder o emprego ou o sustento familiar pode levar indivíduos a suportarem situações de assédio, seja moral ou sexual, sem denunciar, perpetuando o ciclo de abuso. Essa fragilidade contratual, segundo Teixeira, precisa ser considerada nas políticas de combate ao assédio.

Violência de Gênero: Um Fenômeno Estrutural e suas Manifestações Institucionais

Márcia Teixeira classificou a violência de gênero como um fenômeno estrutural, e não como um evento isolado. Ela explicou que se trata de uma dinâmica sistêmica e relacional que, no ambiente público, muitas vezes se manifesta de forma naturalizada, intrinsecamente ligada à hierarquia e à cultura organizacional. Essa naturalização pode dificultar o reconhecimento e o enfrentamento da violência, pois ela se torna parte do cotidiano de forma imperceptível para muitos.

A promotora detalhou diferentes tipologias de assédio e violência que podem ocorrer no contexto de trabalho. O assédio moral é caracterizado por práticas reiteradas de desqualificação, isolamento, sobrecarga ou invisibilização do indivíduo. Já o assédio sexual envolve o uso da posição hierárquica ou do ambiente de trabalho para constranger ou obter vantagem sexual. Além disso, a violência institucional e simbólica se manifesta através do silenciamento, do descrédito da palavra da mulher, da ausência de respostas institucionais adequadas e da criação de barreiras para a ascensão profissional.

A compreensão desses conceitos é fundamental para que as instituições públicas possam desenvolver estratégias eficazes de prevenção e combate. A palestra buscou munir os participantes com conhecimento para identificar essas práticas e encorajá-los a buscar os canais de denúncia e apoio disponíveis, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro e equitativo para todas e todos.

O Papel do Programa Bahia de Integridade Pública na Promoção da Equidade

O tema da palestra sobre equidade de gênero está diretamente alinhado a uma das diretrizes centrais do Programa Bahia de Integridade Pública (PBIP), que tem como um de seus focos a promoção da equidade, diversidade e inclusão. Fábio Marconi Fonseca, corregedor da Seplan e responsável pela implementação do programa na instituição, ressaltou a relevância do debate promovido.

Segundo Fonseca, a pauta da equidade tem ganhado cada vez mais espaço tanto no setor público quanto no privado, refletindo um avanço significativo na compreensão sobre a importância da igualdade nas relações de trabalho. Ele destacou que, em um contexto nacional marcado por elevados índices de feminicídio, discussões como a promovida pela Seplan são fundamentais para fortalecer o respeito e garantir a igualdade de oportunidades para as mulheres em todos os âmbitos profissionais.

A correlação entre a violência de gênero estrutural, o assédio no ambiente de trabalho e a necessidade de políticas públicas robustas foi um dos pontos altos da palestra. A Seplan, ao vincular suas ações de conscientização às diretrizes de integridade pública, reforça seu compromisso com a construção de um serviço público que reflita os valores de justiça, igualdade e respeito à dignidade humana, contribuindo para um futuro mais equitativo para todas as servidoras e servidores.