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Ramagem rompe o silêncio após detenção nos EUA e agradece “alta cúpula” de Trump; ataca PF

Ramagem rompe o silêncio após detenção nos EUA e agradece "alta cúpula" de Trump; ataca PF O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) se manifestou publicamente pela primeira

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Ramagem rompe o silêncio após detenção nos EUA e agradece “alta cúpula” de Trump; ataca PF

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) se manifestou publicamente pela primeira vez após ser detido em um centro de imigração nos Estados Unidos. Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Ramagem agradeceu o apoio de aliados e, notavelmente, a intervenção de membros da “alta cúpula da administração Trump”, aos quais atribuiu a resolução de sua situação perante as autoridades de imigração americanas.

A declaração surge após dois dias de detenção, período em que Ramagem esteve sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). A detenção ocorreu na manhã de segunda-feira (13), devido a supostas irregularidades em sua documentação migratória, conforme informado pelas autoridades americanas. A Polícia Federal brasileira confirmou a prisão como resultado de “cooperação policial internacional”.

No entanto, Ramagem contestou veementemente a versão oficial da Polícia Federal, dirigindo críticas severas ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. O ex-parlamentar negou que a abordagem tenha sido motivada por uma infração de trânsito, como inicialmente ventilado por seus aliados, afirmando que o procedimento foi estritamente de natureza migratória. A situação levanta questionamentos sobre a comunicação entre as autoridades brasileiras e americanas, bem como as razões subjacentes à detenção do ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ramagem agradece apoio e detalha situação nos EUA

Em seu pronunciamento, Alexandre Ramagem expressou gratidão a um grupo seleto de apoiadores. “Venho agradecer ao governo norte-americano da mais alta cúpula da administração Trump, também as pessoas que já estavam cientes da nossa questão bem antes e também aquelas pessoas que tiveram que se debruçar por ocasião dessa detenção”, declarou o ex-deputado no vídeo.

Ele mencionou nominalmente o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), os jornalistas Paulo Figueiredo e Allan dos Santos, além do senador Hiran Gonçalves (PP-RR), como figuras que ofereceram suporte durante sua custódia. Ramagem reiterou que sua entrada nos Estados Unidos, em setembro de 2025, foi realizada de forma regular, com visto e passaporte válidos, e que ele aguarda a análise de seu pedido de asilo político.

Para reforçar sua situação regular no país, Ramagem destacou que seu endereço é de conhecimento das autoridades americanas e que suas filhas frequentam uma escola pública na Flórida. “Ou seja, eu não apenas estou absolutamente com situação regular, como eu não estou me escondendo aqui nos Estados Unidos”, afirmou, buscando desconstruir qualquer narrativa que o apresente como foragido ou em situação irregular.

Ramagem desafia a Polícia Federal e critica diretor-geral

O ex-deputado dirigiu críticas contundentes à atuação da Polícia Federal, classificando a corporação como uma “polícia de jagunços” sob a gestão de Andrei Rodrigues. Ramagem desafiou diretamente o adido da PF em Miami, que, segundo fontes, teria monitorado seus passos em uma operação conjunta com autoridades americanas. “Quem está demonstrando que pode estar sorrateiro aqui não sou eu… O adido da Polícia Federal que venha falar comigo de frente que eu não tenho nada para esconder”, vociferou.

Ramagem acusou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, de ser “amigo íntimo” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele citou a participação de Rodrigues em um evento com um banqueiro investigado, alegando que as despesas de viagem foram custeadas pelo Banco Master. “É o mesmo que estava na degustação de whisky do [Daniel] Vorcaro lá em Londres, do banqueiro criminoso, que tem suas despesas de viagens pagas pelo Banco Master, que é o amigo íntimo do violador de direitos humanos Alexandre Moraes”, disse Ramagem.

O ex-parlamentar chamou Rodrigues de “vergonha” e defendeu seu afastamento imediato do cargo. Ele criticou a “narrativa” de que a prisão teria sido um sucesso da cooperação internacional, reiterando sua tese de que é vítima de “lawfare” e de perseguição política orquestrada pelo governo Lula e pelo Judiciário brasileiro. A Polícia Federal foi contatada pela reportagem para comentar as acusações de Ramagem, mas ainda não se manifestou.

Acusações de “lawfare” e nova oportunidade de denúncia

Alexandre Ramagem, que foi condenado a 16 anos de prisão pela suposta tentativa de golpe de Estado, classificou as acusações como uma “farsa”. Ele argumenta que sua detenção nos Estados Unidos, embora um revés pessoal, representa uma nova plataforma para expor a situação daqueles que ele considera “injustiçados, presos e exilados” em decorrência dos eventos de 8 de janeiro de 2023.

A defesa de Ramagem alega que ele entrou nos EUA com visto e passaporte válidos em setembro de 2025 e que sua situação migratória está em processo de análise, com pedido de asilo político pendente. Ele buscou demonstrar sua integração e ausência de intenção de se furtar às autoridades, mencionando o fato de suas filhas frequentarem uma escola pública e seu endereço ser conhecido.

A narrativa de Ramagem se alinha com a de outros opositores do governo atual, que frequentemente denunciam uma suposta perseguição política e judicial. A detenção nos EUA, neste contexto, é apresentada por ele como uma prova de que as autoridades brasileiras estariam agindo de forma coordenada para silenciar e punir adversários políticos, utilizando para isso mecanismos legais de forma indevida.

Cooperação internacional em xeque e a versão da PF

A Polícia Federal, por meio de nota oficial, informou que a prisão de Ramagem decorreu de uma “cooperação policial internacional” entre a corporação e as autoridades americanas. Essa declaração contrasta diretamente com a versão apresentada por Ramagem, que minimiza a participação da PF e enfatiza a intervenção de figuras ligadas à antiga administração americana.

A ênfase de Ramagem na “alta cúpula da administração Trump” sugere que ele acredita ter encontrado apoio em setores específicos do poder americano, possivelmente influenciados por conexões políticas estabelecidas durante o governo de Donald Trump. Essa linha de defesa visa a legitimar sua situação e a obter um desfecho favorável em seu processo migratório.

A atuação da PF e a cooperação com órgãos de inteligência e imigração estrangeiros são cruciais em casos que envolvem investigações transnacionais. A polêmica em torno da detenção de Ramagem pode expor tensões e divergências nas abordagens e interesses entre as autoridades brasileiras e americanas, especialmente em um contexto político polarizado como o atual.